As minhas deliberações sobre Google OS.
Deliberações sobre o possível Google OS…
1) De fato o mundo mudou radicalmente nos últimos 10 anos de internet, mas o OS não. O Windows se tornou muito melhor em vários aspectos (principalmente conectividade/automação comodidade), mas ele continua fazendo as mesmas coisas, de forma MUITO parecida com o que ele fazia já no Windows 95 (+ de 10 anos atrás).
2) Se você fizer uma simples comparação, o poder computacional foi multiplicado em MUITAS vezes neste período, saindo de um processador genérico para múltiplos “cores” generalistas e especializados, mas do ponto de vista funcional muito pouco mudou. O mesmo se aplica à storage etc…
Ou seja, juntando 1 e 2 acima você tem uma oportunidade de ser absolutamente inovador e criar um OS extremamente capaz (não um terminal burro como se falava anos atrás), com uma capacidade de atualização instantânea onde você pode agregar muitos serviços num modelo de assinatura ou mesmo publicidade.
Se você já ouviu falar no “Google Gears”, não deixa de ser a mesma tecnologia que era utilizada nos primeiros Internet Bankings na década de 90, onde a velocidade de transmissão de dados era extremamente limitada, porém com muito requinte e sofisticação… mas você tem o código distribuido entre local e Cloud, bem como dados espelhados entre DB local e cloud.
Isso significa que vc pode ter uma experiência similar à online, porém offline… desde que vc se conecte pelo menos 1 ou 2 vezes por dia. Extrapolando, podemos aplicar o modelo de P2P para distribuição das apps ou funcionalidades, já que o ambiente é híbrido. Imagina o poder disso??
Além disso, o Google já possui um ambiente computacional em seus datacenters que é extremamente flexível e distribuido. Basta plugar uma máquina no ambiente do datacenter do Google que a máquina é instalada, configurada e passa a assumir um papel redundante, com os mesmos objetivos que as outras máquinas do mesmo datacenter já possuem, porém distribuindo a carga com o resto do datacenter.
Novamente fazendo uma analogia, é fácil imaginar que o OS possa ser automaticamente instalado e configurado de acordo com um perfil que você pode definir junto ao Google, e que as suas aplicações e dados seriam carregados sem a necessidade de intervenção de um operador, bastanto para isso um pequeno “bootloader” que conecta a máquina na rede.
O interessante é que normalmente os fabricantes de hardware seguem os fabricantes de software. O que está acontecendo aqui é o oposto. A febre dos netbooks iniciada pela Asus e sua popularização em função do preço baixo, criou uma base de equipamentos com baixo poder de processamento e armazenamento, que é a plataforma perfeita para um sistema híbrido local/cloud com alta conectividade.
O Google no meu ponto de vista, está atacando exatamente esta oportunidade… já que Apple está fora deste jogo, MS tem interesses divididos pois vai “contra a sua vaca leiteira” e Linux não tem poder mercadológico e está com imagem um pouco desgastada no mundo consumer. Sobra o Google que é um new player poderoso, mas que teve a sua primeira aparição no mercado de mobile fraca e muito criticada.
A triste verdade é que a nossa amada Microsoft cada vez mais mostra-se muito lerda e com pouca coragem para quebrar paradigmas necessários para que a verdadeira inovação apareça. Se fizer um paralelo ao mundo de CRM, a SAP perdeu muito terreno para Salesforce em pouco tempo, pelo mesmo motivo.
Ou seja, a oportunidade está aí… e Google possui tecnologias chave em suas mãos para fazer algo realmente inovador e eficiente. Resta saber se eles terão as habilidades necessárias para juntar as peças e montar um modelo de rentabilização que justifique os investimentos. We’ll see.
Aproveito para adicionar o artigo: http://www.readwriteweb.com/archives/10_things_were_dying_to_know_about_chrome_os.php que possui mais informações sobre o assunto.
Abs, Persio.
